Assisti no
telejornal que a cidade de Salvador deve começar a fiscalizar e multar quem
joga lixo na rua, a exemplo do que está sendo feito na cidade do Rio de
Janeiro.
As imagens
mostradas na tevê são nojentas, na Bahia. Numa determinada rua, o caminhão do
lixo precisa passar duas vezes por dia, porque, entre uma e outra vez, a
vizinhança enche novamente as calçadas com sacolas de lixo. Perguntada a
respeito, uma moradora disse que “Não há onde colocar o lixo em casa”.
Não é agradável
mesmo ficar com lixo em casa. Por isso, ele deve ser bem acondicionado, sob
pena de disseminar doenças no nosso lar.
Mas a verdade é
que o lixo pertence a cada um de nós. Ele não surge do nada, como a poeira que
vem no ar e suja os móveis e o chão. O lixo nosso de cada dia é produção nossa
e está diretamente relacionado ao nosso consumo.
Temos um
discurso social (só discurso mesmo) sobre reciclar. Inventamos até que “pessoas
se reciclam”. A expressão é comum para professores... Abomino isso! Professores
se capacitam continuamente. O papel da formação continuada é atualização, às
vezes para continuarmos fazendo bem o que já vínhamos fazendo; fazer melhor e
não necessariamente diferente. Obviamente, há professores que deveriam mesmo
jogar fora suas práticas, seus nunca renovados cadernos de planos, os livros de
que se utilizam, e até suas próprias ideias. Mas aí é outra discussão...
Mas a solução
sustentável não é apenas reciclar. Isso é quase nada. Reciclar é uma das
palavras; as outras duas são: reutilizar e reduzir – completando os três erres da
sustentabilidade.
E aí fica mesmo
muito difícil... Reutilizar? O bom mesmo é comprar coisas novas, sempre mais
bonitas e atraentes aos olhos. Reduzir, então, nem pensar! Tudo a nossa volta
nos impele e incentiva a consumir, consumir, consumir.
Curiosamente, a
reportagem mostrou como a questão do lixo se apresenta em Tóquio. Pelas ruas,
há pouquíssimas lixeiras... E as ruas são limpas! O repórter disse: “Se você
tiver algo em mãos para ser descartado precisará, sim, ir até sua casa
carregando o lixo para, então, jogá-lo fora, no recipiente adequado, para
posterior reciclagem.”
Quantas vezes,
essa não é a desculpa clássica para jogarmos pequenos lixos na rua? “Não há
lixeiras, vou carregar o lixo na mão?”. É, mais uma lição para nós. A boa
educação está em ser responsável por aquilo que produzimos, mesmo que seja
apenas nosso próprio lixo. Nem tudo o que produzimos é bom. Mas é nosso e
devemos responder por ele e não apenas “passá-lo pra frente”.
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