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quinta-feira, 19 de julho de 2012

Ser ou não ser – eis a questão


Hoje, participei de uma Oficia Teórica de Arte. Porque gosto de Arte. Porque minha área – a Literatura – é Arte. Porque pouco sei sobre Arte, além do que sei sobre Literatura.Entrei muda e saí calada. Que sensação estranha e... boa. Um grupo pequeno, nada de curso que necessite de avaliação. Sem exercícios, sem notas. Apenas conhecimento, diálogo, cultura. E eu, ali, sem saber quase nada.Quando somos muito jovens, queremos mostrar ao mundo que sabemos sobre tudo. Ou nos escondemos, fugindo dos testes que nos cobram nossos conhecimentos. O desequilíbrio e exagero da juventude!Adultos, estamos conscientes de que os testes são para sempre. Todo dia e toda hora. Ou não seremos bons o suficiente. Há os testes oficiais, combinados, para os quais nos preparamos. Prestamos prova e somos aprovados ou não. Há os testes da vida real, para os quais também nos preparamos. E as provas são diárias. Nesses também podemos ser ou não aprovados.Adultos, precisamos alcançar o equilíbrio entre não se esconder - e parecer incapacitado – e não se mostrar demais – beirando a arrogância. Chegar a esse ponto requer muito autocontrole, muita serenidade. E descobrir o que fazer com nossa ansiedade...Angústias e estresses a parte, nosso ego se infla a cada sucesso. Não é uma posição confortável, mas agrada. Quem não gosta de ser querido e admirado?Na oficina de hoje, descobri, mais uma vez, o valor da frase “Só sei que nada sei.” Eu estava gostando, era capaz de compreender boa parte do que estava sendo dito, mas desconhecia muito do que era falado. Não havia como inflar meu ego. Mas senti minha curiosidade aguçada. E percebi, em mais uma oportunidade que, além de ter muito a aprender, QUERO CONTINUAR APRENDENDO.A Márcia participante ficou em casa hoje. E foi legal sair sem ela. E a despeito disso, eu estava feliz. Estranho? Talvez não.



Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

(...)

TRADUZIR-SE , Ferreira Gullar

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