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quarta-feira, 18 de julho de 2012

Férias e felicidade



É interessante que quando falamos em férias, nós, trabalhadores, pensamos imediatamente em “descanso”. É verdade que deixar de lado a rotina das tarefas diárias é importante e faz um bem enorme! Afastados dos afazeres cotidianos, refazemos nossas energias para o momento em que precisaremos retornar a eles.
Para mim, no entanto, férias (e aqui entram os feriados também) são períodos muito especiais. Trabalhar, quando fazemos o que gostamos não esgota. Cansa, porque empenhamos energia e esforço em nosso trabalho e isso precisa ser renovado. Bendito seja o final de semana, então! Mas, às vezes, um tempo maior é necessário para abastecer o corpo dessa energia; é preciso buscar preencher a alma – onde está nossa verdadeira fonte.
Ficar deitado, sem fazer nada é bom. Mas não preenche a alma. Descansa o corpo. Relaxa. Mas depois de um tempo, cansa-se de ficar deitado. Porque a alma necessita de algo mais.
Minha definição seria: “Férias: período para se fazer o que se gosta, com o único compromisso de ser feliz!”. Sempre faço muitos planos para as férias. Tenho livros para ler; músicas para ouvir; paisagens para olhar; lugares para visitar; pessoas com quem conversar; textos para escrever; receitas para cozinhar; filmes para assistir; jogos com meus filhos para me divertir; e um enorme desejo de amar e ser amada (a qualquer hora e em qualquer lugar).  Tudo isso me enche a alma de alegria e renova minhas forças para depois que as férias se vão... Até que cheguem as próximas!
Alguém poderia perguntar se não há algo dos meus planos que poderia ser realizado em outros períodos. Ou seja: é necessário mesmo esperar as férias, já que elas demoram a chegar? E eu respondo com convicção: sim, é necessário. É essa espera que dá às férias e a tudo o que nelas se realiza um gostinho especial. É essa espera que controla nossas emoções para aprender a viver o hoje e a esperar, sem angústia pelo amanhã. É essa espera que ensina a preservar os bons momentos e a desejar que se repitam, ao invés de querer que sejam modificados (descartados, como facilmente se faz com tudo hoje). É essa espera que prepara emocionalmente para que se desfrute do que se alcança.
Meus filhos já estão numa fase de ansiar por suas férias. E, agora, fazemos juntos muitos planos. Para as férias de julho, temos, em nossa cidade, o “Festival de Inverno”, com seus espetáculos de Dança e Teatro e suas oficinas de Arte e Brinquedos – cultura, aprendizado e diversão. E há os muitos momentos de ficar em casa, curtindo a cama da mamãe ou o sofá da sala, vendo filmes juntos; o quintal a chamar para variadas brincadeiras; a cabaninha no quarto; e mais o videogame e o computador, porque são da geração do século XXI. Tem o cinema e as novidades da telona, com direito a pipoca. E visita de/aos amigos, familiares, pessoas queridas. E tudo isso regado a guloseimas: pipoca de microondas, bolinho de chuva, miojo. E, especialmente, para as férias de final de ano e janeiro, temos o Sol: piscina, mar, cachoeira, sol, sol, sol.
É claro que uma ou outra coisa de nossa lista de férias acontece, sim, fora delas. Ou seria dizer que só cultivamos cultura e lazer nesse período. O que quero dizer sobre as férias, porém, diz respeito ao simbolismo, pois é isso que move a nossa existência. Gosto de olhar para os significados, pois dão sentido aos significantes; os signos são a essência da vida.
Percebo que enxergar o simbólico não é algo óbvio nem fácil. Necessita-se cada vez mais do palpável, do prático, do visual, do urgente. Aliás, a palavra urgente perdeu seu significado. Urgente é tudo o quero agora, embora, na realidade “urgente é a situação em que há necessidade de atendimento imediato, que não pode ser adiado ou retardado”. Lendo com atenção, percebe-se que há muitas urgências que poderiam ser adiadas, se não fosse uma super dose de egoísmo que povoa esse mundo. A carência do mundo, essa sim é URGENTE! Carência de experiências significativas, carência de vivências de amor, carência de doação de tempo, carência de autocontrole, equilíbrio, temperança, domínio próprio.
Tenho urgência de viver! Isso NÃO pode ser adiado. Às vezes dói, quase sempre é difícil, mas é muito bom... Se há amor, é bom demais! E assim, vivo meus dias corriqueiros de mulher-mãe-esposa-filha-professora-estudante, aprendendo e ensinando. E anseio pelas férias e feriados, quando vivencio outras experiências que, com certeza, iluminarão todas as demais.
Trabalho porque tenho um chamado e porque preciso alimentar o corpo. Quando trabalho, porque tenho um chamado, também alimento a alma. E quando o cansaço chega, promovo o descanso do corpo e a renovação da alma, dia após o dia e, mais especial e intensamente, nas esperadas e merecidas férias.  

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