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quarta-feira, 20 de junho de 2012

Sobre o medo - para arrumar a mente e o coração


“Fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que não se veem”. Hebreus 11:1

O ditado diz “Nadar, nadar e morrer na praia”. Não sei nadar e tenho medo da água. Por isso, qualquer referência à água significa, para mim, esforço e dedicação. Mas sei que ditado é pura metáfora e sei que eu nado em muitos espaços, mesmo sem uma gota de líquido. É assim a vida. 
E porque é assim, a vida dá medo, às vezes. E se nos esforçarmos, tentarmos, buscarmos e, depois de toda a caminhada, não conseguirmos? E se voltarmos ao ponto inicial? Parece derrota... Sim, se pensarmos que a vida é competição.
Acho, porém, que a competição é sempre, acima de tudo, conosco mesmos. É desafio. É luta com – ou contra – nossos próprios sonhos, nossos próprios defeitos, nossas próprias limitações, nossos anseios e nossos receios. Às vezes, inventamos outros competidores, verdadeiros opositores à realização dos nossos desejos. Mas eles só existem em parte. O tempo todo, a briga é nossa – eu comigo mesmo. Por isso é tão difícil, Por isso dói tanto.
Hoje ouvi pela primeira vez a música “Medo”, de Lenine. Um tapa na cara atrás do outro. Porque temos medo de sentir medo e erramos por causa desse medo. Às vezes para mais; outras vezes para menos. O medo não é companheiro, embora nos acompanhe em muitos momentos da vida.
O medo é a medida da indecisão”, diz um dos versos da música. Por causa dele, paralisamos. Mas assumir responsabilidades e consequências faz parte do desafio da vida; é acreditar que se não é possível refazer algo, pode-se começar de novo, de um outro jeito, com a chance de ser melhor.
Lembrei-me de outra música, esta de Oswaldo Montenegro: “Lembra se puder; se não der, esqueça/De algum jeito vai passar”. Mas dá medo.
O que vou dizer agora pode parecer piegas, mas vou correr o risco: acredito no amor e na sua força para vencer o medo. A possibilidade de perder meu amor me dá medo. Ao mesmo tempo, acho que corajosamente, penso: não se perde um grande amor; ele é ganho para sempre, embora eu mesma não compreenda a amplitude do que isso significa. Só creio nisso. Às vezes mais; às vezes menos. Mas creio.
Porque creio nisso, não acredito que a vida seja competição, por mais ingênuo que isso possa soar. E não acredito que “morrer na praia” seja derrota. É consequência, com certeza. Sobre a qual quase nunca temos controle, já que não fazemos nada sozinhos. Condicionados, influenciados, contagiados pelo outro – ou seja que palavra for – não dá bem para dizer que é uma responsabilidade individual. Ajuda, na hora de dividir os danos... É maravilhoso, no momento de somar as alegrias!

Afirmar isso, é muito caro para mim. Sou uma pessoa autônoma e quero ter as redás da minha vida em minhas mãos. Não quero deixar de agir assim. Mas aprendo, a cada dia mais, que isso é uma realidade em parte. E aí dá medo: “Medo de (...) perder a rédea, a pose e o prumo”.
Entretanto, justamente em respeito a minha autonomia, no lugar do ditado, eu usaria o verso “Medo de morrer na praia depois de beber o mar”. É morrer na praia – finalização de uma tentativa. No entanto, é “depois de beber o mar” – é após ter vivido a plenitude... É só imaginar a imensidão do mar... Que pode ser comparado à vida, com suas calmarias e suas tempestades. É só imaginar alguém sedento, que consegue a oportunidade de beber... 
E, por fim, para alento próprio, é pensar que é possível vencer o medo e ser feliz. Mesmo sem se poder responder ao “Como?”. É lutar para decidir sobre os paradoxos “Medo de se arrepender/Medo de deixar por fazer” e “Medo de se amargurar pelo que não se fez/Medo de perder a vez”. É viver! 

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