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quarta-feira, 21 de março de 2012

Ter ideias e atitudes - aprender a aprender

“Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens.
(...)
Seja o vosso falar: ‘Sim, sim; Não, não’; porque o que passa disto é de procedência maligna.” Mateus 5:13 e 37
Ontem, assisti ao filme “A Dama de Ferro”, com meus alunos. Imaginava uma história bem diferente da que vi, mas gostei da forma como o enredo foi construído e apresentado na telinha. Gostei do jogo com o casal de personagens, do fato de o filme começar no presente e dos acontecimentos serem relembrados pela protagonista, ao longo do filme, sendo contados ao espectador. Gostei, acima de tudo, da atuação brilhante da atriz Meryl Streep, contemplada com o Oscar de Melhor Atriz por esse trabalho. Suas expressões faciais e corporais dizem muito, havendo ou não texto falado. Eu só confirmei minha admiração por ela.
O filme, que tem como personagem principal a figura de Margaret Thatcher, não é um filme sobre política, nem sobre a presença feminina nesse ambiente. A história da trajetória dessa mulher, interessante e curiosa, revela alguém de uma força interior enorme, com determinação e firmeza surpreendentes. Olhando sob esses aspectos, Margaret era uma pessoa admirável. Com ideias originais e muita autenticidade, jamais abandonou seus ideiais. Chegou ao parlamento em 1959 e, vinte anos depois, vencendo preconceitos e sendo a primeira mulher nesse cargo, foi eleita primeira-ministra do Reino Unido. Reeleita ainda duas vezes, deixou o cargo, em 1990, após perder o apoio de seu gabinete.
O título do filme trata-se da forma como Thatcher era reconhecida, devido ao rigor de seu governo. A “Dama de Ferro”, porém, mostra-se um tanto mais de “sangue” na obra, o que não retira a força da alcunha que lhe coube. Segundo entrevistas concedidas pela diretora britânica Phyllida Lloyd e o roteirista Abi Morgan, eles nunca tiveram a pretensão de fazer uma cinebiografia ou um filme sobre política. A ideia era contar a história de uma mulher de origem comum, que ascendeu ao poder apenas para voltar, já idosa, a uma vida normal como a de qualquer outro.
Na minha opinião, conseguiram. O filme é sobre a vida. Sobre ter sonhos e buscar realizá-los. Sobre disciplina e empenho. Sobre razão e emoção. Sobre saber quando avançar e quando recuar. Sobre ser inteligente e agir com inteligência. Sobre amar, também.
Hoje, li um texto de Eugenio Mussak, que combina bem com tudo isso; chama-se “Uma boa ideia não é tudo” e traz uma boa reflexão sobre ter ideias e ter atitudes.
Já defendi em textos anteriores a necessidade de se ter um sonho. Temo por meus jovens alunos, quando percebo que eles estão cheios de desejos, como é próprio da idade, mas que não cultivam sonhos. Onde estão os ideais da juventude do século XXI? – é o que costumo me perguntar.
Em sua publicação, no entanto, Mussak dá ênfase à importância de se ter ideias e de colocá-las em prática. Uma ideia na cabeça é algo interessante (“Mente vazia é oficina do diabo”); mas ter boas ideias é nada para mudar a vida (“De boas intenções o inferno está cheio”).
Pensando um pouco mais, enxergo que essa dupla ideia-atitude está na base de uma boa educação: estimular nossos filhos e alunos a ter ideias, a refletir, a construir conhecimento a partir de aprendizados, gerando novas aprendizagens; provocá-los para que ponham em prática suas ideias, se expondo ao erro, para aprenderem com a experiência e produzirem novos conhecimentos.
Filósofos, pedagogos, psicólogos e estudiosos diversos já trataram do tema. E infelizmente, em pleno ano 2012, vemos crianças e jovens sem estímulo, com pais superprotegendo suas atitudes, tolhendo suas ideias, levando-os ao senso comum de escolher determinadas carreiras e fazer o mínimo esforço possível na sua trajetória prévia, durante os anos escolares. Que pena!
Aqui não posso deixar de me lembrar do filme “A Dama de Ferro”, guardadas as devidas ressalvas às opções políticas de Margaret Thatcher e da realidade do país que liderou. Boas ideias levaram Margaret Thatcher, de família simples, à universidade e à atuação política eficiente. Boas atitudes deram sustentação às suas boas ideias: disciplina, rigor e determinação.
Aristóteles, filósofo grego da Antiguidade, dizia que era preciso pensar para agir, mas que é preciso agir depois de pensar. E eu diria que, ao pensar, necessitamos de raciocínio e intuição, num equilíbrio entre razão e emoção. E, ao agir, esse equilíbrio precisa ser a base de atitudes rigorosas, a fim de que se possa manter firmeza nos propósitos e princípios.
Poderia citar Gandhi, Madre Teresa de Calcutá, Nelson Mandela e tantos ícones, que, ao longo da história da humanidade, deixaram sua marca por suas ideias e atos. E quantos homens e mulheres, desconhecidos pela História oficial, não tiveram essa mesma experiência? Isso não pode ser negado à juventude contemporânea.
Conheci um texto recentemente, muito duro por sinal, no qual se lê que somos última geração de filhos que obedeceram aos pais e a primeira geração de pais que obedecem aos filhos... Fiquei chocada com a afirmação! Por outro lado, observo a verdade dessa frase diariamente. O texto mostra o quanto pais superprotetores são aparentemente benéficos aos filhos e revela o quanto causam mal por não deixarem seus filhos aprenderem sobre respeito, dedicação e autonomia – características caras a quem quer ter ideias próprias e coragem de torná-las realidade.
Para concluir, me permitirei usar o final do texto de Eugenio Mussak:
“Uma longa jornada sempre começa com o primeiro passo, e o primeiro passo é a ideia. Pois é... Uma boa ideia sempre é o começo de tudo, mas é apenas isso: um começo. Para chegar a algum lugar, entretanto, é necessário dar os passos seguintes.”

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