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terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Sobre a difícil arte de educar os filhos

A revista Superinteressante de dezembro/2011, na seção “Polêmica”, trouxe uma matéria cujo título é “Pais devem educar menos – e divertir mais seus filhos”, de autoria de Bryan Caplan.
Segundo o texto, pesquisas revelam que os ensinamentos dos pais aos filhos ao longo dos anos quase não afeta seu futuro, pois os fatores genéticos são mais decisivos do que a criação dada em casa.
Li a matéria somente hoje e fiquei refletindo bastante a respeito. Não cheguei a uma conclusão, mas não posso dizer que, embora muito incisiva (o texto é curto, de apenas uma página), a ideia veiculada no texto não é de todo estranha para mim. Já pensei várias vezes sobre isso, depois que tive filhos.
Há poucos dias, minha sogra me disse sobre meu filho menor, de seis anos de idade: “Ele gosta tanto de fazer companhia para as pessoas. E ele é tão novo para se preocupar com isso!”. Será que Augusto nasceu com essa característica? Ela é genética? Ou foi aprendida durante seus poucos anos de vida?
Sou uma mãe muito observadora e acho que a experiência de ver uma pessoa crescer é uma das coisas mais belas da vida... Aí está, para mim, “o grande barato” da maternidade. Vamos aprendendo, dia após dia, como aquela pessoa reage às suas próprias vivências e às dos que estão a sua volta. Como expressa sentimentos e pensamentos advindos dessas experiências. Como vai repetir – ou não – os mesmos gestos e atitudes. Quando vai acrescentar novos gestos e novas atitudes.
São dois meninos, criados do mesmo jeito e tão diferentes um do outro! Claro: NÃO são criados do mesmo jeito. Tenho um senso de justiça grande e ele é ainda mais aflorado com meus filhos. Não costumo ter atitudes com um que não tenha também com o outro. Mas não consigo fazer tudo igual!
Explico: se um adoece e outro não, obviamente só levo o doente ao médico. Simples, não é?
Nem tanto. Se o mais velho perde as roupas, passa para o mais novo; mas o mais novo não tem irmão mais velho... Então, preciso fazer mais compras de roupa para um do que para o outro.
Tem mais. As preferências aparecem rapidamente: são comidas, cores, brincadeiras, atividades que vão se distinguindo um do outro. Eles fazem as refeições no mesmo horário e brincam muito juntos. Mas seus gostos distintos vão se evidenciando mais a cada dia.
Converso sobre os acontecimentos de nossa família com ambos. Mas, dependendo da reação, dou mais detalhes a um do que ao outro; o que vai determinar é o nível de curiosidade e interesse naquele momento. E, como cada um vai expressar sentimentos e pensamentos de forma diferente um do outro, minhas próprias reações às suas reações serão distintas.
Observo, então, que a educação está permeando essas relações todo o tempo. E o meu papel de educadora sinaliza e indica gestos, atitudes e reflexões. Sim, acredito no papel fundamental da educação na formação da personalidade.
No entanto, a partir mesmo das minhas observações, não posso desconsiderar que há algo que independe da minha atuação educativa. Há algo que veio antes e que permanece. Que, em alguns momentos, se modifica por meio da educação, mas não sei se desaparece ou se acrescenta da forma que julgo que seria melhor.
Não concordo com o radicalismo da reportagem, quando insinua – não sei se é mera interpretação minha – que os pais deveriam se preocupar menos com a educação dos filhos, pois ela não é verdadeiramente determinante. É porque pais e mães abriram mão de seu papel de educadores que há tantas crianças e adolescentes sem saber bem o que são e para que vieram ao mundo. Ou seja, há uma juventude sem sonhos, consumidos por um mundo material do “ganhar”, do “ter”, da aparência mais do que a essência.
Ao mesmo tempo, porém, não tenho a ingênua pretensão de “formar” meus filhos, tal qual um artista faz com a argila e a transforma numa outra coisa. Quando enxergo suas características, admiro muitas. Umas, sou capaz de reconhecer em mim mesma e isso é ótimo para meu ego; mas preciso ser sincera e dizer que há outras sobre as quais penso “Que lindo... Essa característica eu gostaria de ter em mim!”. Puxou ao pai? A alguma avó ou avô? Ao tio ou a tia? Às vezes, não é possível identificar... É dele mesmo!
Difícil é quando a característica pode ser classificada como defeito. Mais do que descobrir “de onde veio”, a luta de uma mãe é procurar corrigir. E nem sempre é fácil descobrir o caminho. Ensinar o caminho do certo, do bem, é atitude diária e não pode faltar num lar. Mas ensinar a reconhecer defeitos e procurar superá-los é tarefa árdua.
Com respeito a isso, eu diria que não há receita. Experiências dos outros são bem-vindas, orientações de profissionais auxiliam. Mas nada como estar ao lado, dia a dia, com olhar atento e amoroso para intuir como trilhar o caminho de “criar” os filhos, respeitando suas individualidades e, concomitantemente, educando-os para a vida.
Por fim, ouso dizer que isso se dá, primordialmente, pelo diálogo, pela convivência. Às vezes, na partida de um jogo; sem dúvida, ao contar uma história ou lê-la compartilhadamente; facilmente, durante um passeio, quando podem surgir tantas experiências e tantas conversas.
Sim, ensinamos todo o dia, o dia inteiro. E os momentos de lazer, quando se trata de uma criança, revelam condição ímpar para o aprendizado. Aprendizado dos filhos, que descobrem tanto sobre o mundo e sobre a vida que, devagar, estão experimentando. Aprendizado para os pais, que descobrem, nas perguntas e nas respostas dos filhos, seres maravilhosos, tão parecidos com sua família e pessoas tão singulares.
“A educação é uma coisa admirável, mas é bom recordar que nada do que vale a pena saber pode ser ensinado.” Oscar Wilde
Nada, pode ser exagero, mas convém uma reflexão sobre a frase... 

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