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segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Aprendendo ao ensinar

Tive bicho de estimação a primeira vez na vida, na infância. Foi um cachorro vira-lata que ficou pouco tempo em nossa casa.
Mais tarde, adolescente, fui mordida por um cachorrinho no quintal da casa de um namorado. Eu, que já não era fã de animais domésticos, fiquei assustada de vez.
Já casada, anos depois, passei com meu esposo por uma loja e vi um lindo filhote de labrador. Foi inevitável dizer “Linda!”. No dia seguinte, ela estava em nossa casa, segundo meu marido antes que eu pudesse me arrepender do que havia deixado escapar. Um mês mais tarde, chegava Bela, a irmã de Linda. Elas foram muito especiais num momento em que vivemos uma situação difícil em casa, quando eu perdera nosso bebê, na minha primeira gravidez, em 2003.
Infelizmente, Linda e Bela ficaram grandes demais para nosso quintal e nossa rotina – Miguel chegou em 2004 e Augusto, em 2005. Doamos ambas.
Quando as crianças cresceram mais um pouquinho, chegamos a ter uma calopsita e, num outro momento, dois periquitos. Não sabemos porquê, mas esses animais duraram muito pouco tempo conosco.
Mudamos de casa em novembro de 2010. Desde que lá chegamos, há uma gata que não desiste de rondar nosso quintal. Eu, que tenho mais medo de gato do que de cachorro – sei lá o motivo – tenho resistido bravamente a dar-lhe atenção. Grito com ela, enxoto com a vassoura, jogo água para espantá-la. Ela, também resiste. Bravamente. Foge e volta logo depois. Mia insistentemente na porta da minha cozinha, quando estou preparando as refeições. Vira, de barriga para cima (feito cachorro!), sempre que as crianças estão por perto.
Na sexta-feira, ao retornar para casa após doze dias fora, quem aparece para me desejar “Feliz ano novo!”? Ela – a gata. Mais dengosa, mais resistente.
Meu marido, ontem, não resistiu – ele, que gosta de animais – afagou, pegou, brincou com ela. Pensei “Tô perdida!”. Meus filhos aproveitaram a brecha; na verdade, estavam loucos para fazer o mesmo há muito tempo.
Hoje, segunda-feira, desde cedo nos afazeres domésticos, meus filhos me chamaram de manhã e começaram seu discurso sobre a gata. Que, coitadinha, ela só estava com fome. Que, coitadinha, ela só queria um carinho. Que eles saberiam cuidar dela e evitar que ela entrasse em casa, para eu não ficar assustada.
Aí, definitivamente, eu não pude mais resistir... Há maneira melhor de se ensinar sobre solidariedade, amor ao próximo, cuidado com o outro que não a que advém da experiência de ter um animal doméstico?
De repente, percebi que teria algo de muito importante para ensinar a meus filhos, aceitando a gatinha que havia nos adotado.
Mais do que isso, descobri que tenho muito a aprender... E a lição será dada pelos meus filhos, alegre e euforicamente acompanhados pela prima, com a ajuda de Julieta, nossa gata!
"Todas as coisas da criação são filhos do Pai e irmãos do homem... 
Deus quer que ajudemos aos animais, se necessitam de ajuda." 
São Francisco de Assis

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