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quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Tristeza e melancolia em favor da esperança

Em fevereiro de 2009, retornei à Faculdade de Filosofia Santa Dorotéia. Casada, com dois filhos, professora, uma faculdade, mais metade de outra e duas pós depois.
Meu prazer ao percorrer aqueles corredores e adentrar as salas de aula foi algo indescritível. Eu mesma não sabia que esse retorno seria tão significativo e especial para mim. Rever os espaços e as pessoas que haviam marcado parte da minha história de minha vida foi muito importante.
Ali, convivi, de 1994 a 1997, cursando Pedagogia, com o sorriso observado e atento da Irmã Celma, que andava constantemente pelos corredores, cumprimentando alunos e professores; com profissionais do Protocolo, da Secretaria e da Cantina que sempre atendiam com carinho e atenção a cada estudante; com os professores que, na seriedade do cumprimento de suas tarefas educacionais, não deixavam de nos ensinar a sermos pessoas melhores, mais cultas, interessadas pelo mundo e criticamente atentas à realidade circundante.
Daquele período, tenho doces recordações das aulas de Antropologia, quando aprendi a ver o ser humano de uma outra maneira, graças à professora Claudia; das reflexões provocadas pelas maravilhosas aulas de História da Educação e de Cultura Religiosa, ministradas pela professora Neli; e tantos outros...
Logo depois de formada, estava eu de volta à faculdade, no curso de Letras, no qual estudei a maior parte das disciplinas, de 1999 a 2001, quando precisar trancar temporariamente minha matrícula.
Não resisti, porém, e cursei uma pós-graduação em Língua Portuguesa, nos anos de 2002 e 2003.
E nessas idas e vindas da faculdade, retornei em 2009 para concluir o curso de Letras. Naquele momento, reencontrei Lucia Raminelli e suas inquietantes e frutíferas provocações sobre a língua e Simone, com sua vigorosa memória – tão boa quanto antes – e seu conhecimento “na ponta da língua”; descobri Daniele como professora, que tinha sido minha colega de faculdade e de trabalho; conheci Lívia e sua insistente preocupação com a boa formação de seus alunos; e desfrutei das aulas de Literatura de Cristina e Ana Maria, que revelaram em mim algo guardado no fundo do meu coração, desde que me “conheço por gente” – meu amor por ler e escrever.
Por tudo isso, não pude deixar de me sentir imensamente triste ao saber da possibilidade de fechamento da faculdade. Triste, beirando a indignação, porque não se deve fechar uma escola. Escolas precisam nascer sempre, e ser mantidas a todo custo, penso eu, na minha humilde e idealista ignorância.
Triste, porque fechada a Faculdade de Filosofia Santa Dorotéia, morre uma história. Não a minha: a minha e a de todos aqueles que, como eu, tiveram suas vidas marcadas pela vivência nessa instituição.
Triste, porque, mesmo quando não estamos efetivamente matriculados nessa faculdade, retornamos a ela, sempre que possível. As oportunidades culturais oferecidas nesse espaço não são encontradas em outro, em Nova Friburgo. Sem a faculdade, ficaremos todos muito mais pobres. E possivelmente menos felizes.
Falo de pobreza econômica, pois haverá vários trabalhadores desempregados, aumentando as tristes estatísticas friburguenses.
Mas falo também de pobreza cultural e educacional, problema tão urgente no nosso município, na nossa região, no nosso país!
Para a próxima quarta-feira, 30 de novembro de 2011, está marcado um abraço à faculdade. Simbolicamente, todos que amamos o que a FFSD significa estamos sendo convidados a nos encontrarmos e nos abraçarmos, abraçando assim essa que nos acolheu, nos formou e, torçamos, permaneça presente para as gerações futuras e para o nosso próprio crescimento contínuo e permanente.

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