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quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Para não deixar de caminhar

Nos últimos dias, tenho refletido bastante sobre uma situação que vivi – e pela qual estou, também, sofrendo.
Não posso aqui descrevê-la, pois preciso evitar fatos e nomes. Mas não posso deixar de registrar parte dos pensamentos que têm me incomodado diante das circunstâncias vividas.

Fico pensando sobre a educação que oferecemos aos estudantes, às vezes durantes anos. O que resta, ao final de tudo? O que fica, terminada a chamada “Educação Básica”, depois que o aluno está com seu diploma na mão? Conhecimento? Para o quê? Para prestar um bom vestibular e ingressar numa faculdade, bem avaliada pela sociedade? O que vem após isso?
Sou professora há vinte e um anos, dos quais apenas dois estive fora de sala de aula. Dedico horas de estudo no preparo de cada uma de minhas aulas, procurando aprimorar conhecimento que possa chegar à sala e acrescentar aos meus alunos, intelectual, cognitiva e culturalmente. Busco formas interessantes de levar esse conhecimento – ou de provocá-lo -, tentando diversificar, no intuito de abrir os horizontes dos estudantes, fazendo-os enxergar a partir distintos modos: filmes, literatura, textos teóricos, dinâmicas.

No entanto, muito além dessa preocupação – e como fundamento da minha prática – encontra-se minha postura. Isso porque entendo que meus alunos não são apenas pessoas buscando informação – isso é cada vez mais fácil de se encontrar.
Acredito – e sempre acredite - que as crianças e jovens que se encontram diante de mim, para minha atuação docente, são pessoas, com suas histórias, suas personalidades, seus desejos, seus sentimentos. E considero que meu papel de educador abarca também essa esfera emocional e psíquica, construída em laços de afeto, que, diferentemente do conhecimento, nem sempre pode ser avaliado.
Por causa disso, me esforço por encarar meus alunos com olhar doce e firme, sempre, por paradoxal que seja. Procuro tratá-los com o máximo do respeito, ouvindo-os ou calando-os (porque as duas atitudes precisam ser aprendidas e exercitadas, de ambos os lados), oferecendo-lhes amizade sem aceitar conchavos, levando-os ao exercício da análise que possibilita tolerância, tentando encher-lhes de coragem para fazerem o que é o certo e encarar as conseqüências de, muitas vezes, ser um grão de areia na imensa praia.
Perfeição? Não. Tenho erros, falho e preciso enfrentar isso (dói, mas faz parte da vida). Não quero que meus alunos me achem perfeita, pois isso seria uma falácia, uma hipocrisia que comprometeria seu crescimento e desenvolvimento, por não corresponder à vida real. Mas faço questão que me vejam ética, que percebam meu esforço constante de agir com retidão. E espero, sinceramente, como uma esperança que sustenta minha prática pedagógica, sem nenhuma falsa modéstia e talvez com muita utopia, que isso lhes sirva de exemplo para a vida.

Hoje, 05 de outubro de 2011, uma dúvida está posta no meu coração a respeito dessa capacidade de alcançar crianças e jovens, diante de certas circunstâncias que vivencio. E parece que não tenho a quem gritar por socorro...
É a família que falta aqui? Excesso de família também influencia negativamente? Como encontrar essa medida?
E na escola? É por que uma “andorinha só não faz verão”? Como motivar as demais andorinhas a voarem todas numa mesma direção?

Enfim, hoje estou muito triste. Mas escolho não sucumbir a isso e uso Eduardo Galeano para falar sobre utopia, como já fez minha colega Aura em seu blog. 

“A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar". Eduardo Galeano

A minha continuará sendo que é possível transformar pela educação, a despeito dos duros percalços vividos pelo educador. Talvez atinjamos a poucos, mas a semente deve ser lançada a todos, como bem diz a Parábola do Semeador.


Márcia Lobosco

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