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quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Consumismo, educação e utopia

No final de semana, vi que o filme "Toy Story" estava passando na tv. Já vi os três e estão entre os meus preferidos. Gosto de cinema, gosto muito de filme de animação e adoro boas histórias. E esse filme em especial me agrada demais!
No domingo, ao rever as primeiras cenas, fiquei pensando que a história é uma boa reflexão sobre o consumismo. O primeiro filme mostra os brinquedos do menino Andy preocupados com os novos brinquedos que ele ganhará, por ocasião de seu aniversário. Com muito humor e muita criatividade, vemos chegar o robô, Buzzy, que parece substituir o antes preferido boneco Woody nas prioridades de brincadeiras de Andy. Daí se desenrola a história do filme, com questões "pessoais" interessantíssimas entre os brinquedos e uma grande lição sobre amizade.
É possível puxar discussões diversas, bem ao gosto do sociólogo Zigmun Bauman (numa avaliação bem restrita, obviamente): a descartabilidade das coisas enquanto ainda estão boas para uso; as novidades como imperativo para as substituições; o sofrimento de quem está na "fila do lixo" (os brinquedos, embora não descartados por Andy, ficam guardados em uma armário).
Penso que as crianças - filósofas por natureza, porque não deixam de se espantar com o mundo e desejar conhecê-lo através de seus inúmeros "por ques"- têm condições de, se instigadas, perceber as reflexões por detrás do enredo do filme e acredito que seus questionamentos sejam bem interessantes.
É claro que, capitalismo presente e latente, o próprio filme - a despeito de sua beleza - é um produto a ser consumido. Como tal, junto com ele, vem todo um marketing, que inclui os grandes personagens do filme representados em bonecos, adesivos, chaveiros, camisas, roupas de cama, álbuns de figurinhas etc etc etc. Tudo para ser consumido. E como os exemplos desses personagens (!) é muito legal, os pais, ao que me parece, procuram adquirir o máximo possível de produtos, como se, com isso, estivessem levando aos filhos boa educação... A discussão sobre o filme fica para depois... ou não chega nunca. Quando muito, pais assistem o filme junto aos filhos. E só.
Aqui, me recordo da discussão da aula de "Interdisciplinariedade" da última sexta-feira, quando falamos sobre o papel da televisão. Parece que chegamos a um consenso de que desligá-la seria desligar a criança do mundo pósmoderno, que é sua realidade espaço-temporal. Mas é necessário - e importante e urgente - que a programação seja compartilhada, no sentido de conversada em família. Há muito lixo - e é preciso, mais do que proibir, explicitar isso a crianças e jovens. Mas há boas alternativas, que precisam ser valorizadas, incentivadas e propiciar, de fato, reflexão. E, nesse sentido, as famílias, podem ser ajudadas pelas escolas, com orientações bem dirigidas das possibilidades de se extrair da programação televisiva algo que contribua com a formação dessas pessoas.
Assim, de passivos espectadores poderemos formar ativos sujeitos, que têm a possibilidade de refletir sobre sua própria realidade e, quem sabe?, transformar realidades - fica aqui o que talvez seja minha utopia.


Para terminar, Paulo Freire com a palavra:


"Se, na verdade, não estou no mundo para simplesmente a ele me adaptar, mas para transformá-lo; se não é possível mudá-lo sem um certo sonho ou projeto de mundo, devo usar toda possibilidade que tenha para não apenas falar de minha utopia, mas participar de práticas com ela coerentes."

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