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sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Sobre a vida e seus ciclos

Há 25 anos, no mês de dezembro, logo após a minha formatura no Curso Normal, eu fazia a minha primeira entrevista de emprego, no Educandário Miosótis. Nunca mais saí de lá. 
Pelos mais variados motivos e dos mais diferentes modos, fiz de tudo nessa escola: já cozinhei, varri chão, limpei, montei mural, atendi no balcão e no portão, fiz matrícula e cópias xerografadas, servi refeições e auxiliei nas tarefas de casa e fui professora em todos os segmentos. Coordenei eventos, reuniões de pais e dei palestras. E, embora esteja usando os verbos no passado, minha atuação está no presente e seguirá num futuro bem próximo. Que bom! 
Por ser capaz de me manter num mesmo local de trabalho durante tanto tempo, pode parecer que sou avessa a mudanças. Sempre achei isso de mim, em consequência do meu temperamento e de atitudes também em outras esferas que não a profissional. Já há algum tempo, no entanto, descobri que não é bem assim. 
Gosto de mudanças, sim. Admiro os ciclos da vida, em que precisamos ir nos adaptando a diferentes sensações. Gosto das marcas deixadas pelos sabores, cheiros, toques, pelo que ouvimos e vemos. Tenho enorme prazer ao, no desenvolvimento do ciclo, reencontrar cada uma dessas coisas que ficam guardadas em nossas memórias afetivas. Aprendi a me preparar para as mudanças, a compreender as despedidas, a enxergar com esperança os novos ciclos, a enfrentá-los com menos angústia e com mais fé. 
Mudanças que me pegam de surpresa ainda me assustam. Acho que me assustarão sempre. Mas estou aprendendo a lidar com as tristezas e as aflições que elas podem trazer e a desfrutar da alegria que pode vir em consequência. 
Gosto de ritos. E crio os meus próprios quando percebo que necessito mudar. Com paciência e cuidado, vou me desfazendo e despedindo, me preparando para o fechamento de um ciclo e o início de outro. Sinto ansiedade, mas grande prazer. Sinto medo, mas muita coragem. Meu coração dói a dor da separação e, paradoxalmente, pulsa de felicidade pelo que virá. 
Estou em meio a esse processo. Finalizando-o, na verdade. Quero, como disse o profeta no texto bíblico, "trazer à memória o que me pode dar esperança". São muitas memórias. De trabalho árduo, de dificuldades superadas, de troca de experiências, de partilha de afeto. Que tempo feliz! Que alegria ter vivido todos esses dias realizando esse trabalho. 

E quanta esperança no início do novo ciclo! Que Deus continue a me dar Sua mão para que eu jamais caminhe sozinha. Que me dê sabedoria para que eu saiba caminhar com os outros. E discernimento para seguir minha própria caminhada. Que eu seja luz e que a luz de quem está ao meu redor ilumine o meu caminhar. E que o Seu amor seja a base de tudo. 

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